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Serro - MG
Houve uma época em que, do seio daquelas terras altas, brotava ouro do melhor quilate, além dos diamantes ricos de pureza e brilho.
O ouro surgiu em abundância, nas catas pioneiras dos primitivos exploradores da região da antiga Vila do Príncipe, nos depósitos de
cascalho, areia e argila. Estes depósitos naturais, junto às margens dos Rios Lucas e Quatro Vinténs, é que deram origem ao fausto e
riqueza do século XVIII.
Ocupado oficialmente por bandeiras paulistas a serviço da Coroa Portuguesa em 1702, as Minas do Serro do Frio se tornaram o principal
núcleo minerador de todo o centro-norte da Capitania de Minas Gerais. A procura do outro, brancos, negros e índios ocuparam o
território serrano, elevado a Vila do Príncipe em 19 de Janeiro de 1714.
A Vila do Príncipe foi escolhida como sede da Comarca do Serro do Frio, criada em 1720. Com sua Casa de Fundição, senado da Câmara,
residência do Ouvidor e toda uma estrutura jurídico-administrativa, a Vila do Príncipe tornou-se a "mãe criadora" de todos os
municípios do norte de Minas, que para cá convergiam seu olhar: pagavam impostos, resolviam problemas jurídicos, pleiteavam
melhoramentos de estradas e pediam construção de pontes. A Vila do Príncipe era a capital do norte de Minas.
Em 1838, depois de encerrado o ciclo do ouro, a Vila do Príncipe tornou-se cidade do Serro. Por essa época, a antiga Vila,
confirmando a tradicional hegemonia na região assumiu posição política de destaque, com reflexos na vida da Província e do Império.
A construção de vários templos, ricamente ornamentados, e de importantes sobrados residenciais, também assinalaria, por sua
vez a fase de preponderância econômica e social alcançado pelo Serro no período colonial, sendo sua arquitetura uma das
ricas do Roteiro do Itambé.
Enfim, dessa verdadeira idade do ouro, a quase tricentenária, histórica e tradicional cidade do Serro, envolve-se hoje
nas dobras do tempo mas conserva bem vivas as marcas de sua memória, de uma era de esplendor fé religiosa e riqueza.
O Serro e seu povo vê, sente e lembra. Conhecer o Serro é desvendar uma face do povo mineiro, das Minas Gerais, que são muitas